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PARQUE DAS BROMÉLIAS AMEAÇADO
RPPN da Ponta do Garcês sofre o risco de destruição com a passagem de um gasoduto.

Em agosto de 2001, o Boletim da SBBr contava uma viagem do atual Presidente da Sociedade
Brasileira de Bromélias - SBBr à Ponta do Garcês, região de praias e estuários do Recôncavo
Baiano, realizada com vistas à demarcação de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural
com cerca de 1.000 hectares de ecossistemas preservados. No final do ano de 2002, tudo estava
pronto para o início do processo e nosso Boletim voltava a falar da Ponta do Garcês, desta vez
com a notícia da iminente demarcação da RPPN.
A RPPN da Ponta do Garcês, chamada por seu idealizador, Dr. Luiz Raymundo Tourinho Dantas
(ver matéria sobre seu recente falecimento), de PARQUE DAS BROMÉLIAS, é uma rica e bem conservada
coleção de ecossistemas de bromélias, congregando restingas, campos e Mata Atlântica. Na Xª
Exposição da SBBr, realizada em março deste ano, na Escola nacional de Botânica Tropical (do
Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do RJ), Orlando Graeff realizou uma palestra cujo painel
central era a RPPN da Ponta do Garcês.
Por uma infeliz coincidência, na mesma época em que Graeff mostrava a deslumbrante biodiversidade
da Ponta do Garcês, um consórcio liderado pela Petrobrás apresentava os planos para o lançamento
de um gasoduto, proveniente da Bacia Petrolífera de Camamú, atravessando em cheio o Parque das
Bromélias. Segundo a empresa, o traçado do duto, cortando a Ponta do Garcês, corresponderia à
alternativa de maior economicidade.
A reação das comunidades da região de Jaguaripe, município histórico ao qual pertence a Ponta do
Garcês, tem sido de total descrédito aos argumentos da Petrobrás que defendem o traçado do duto.
As preocupações vão desde as conseqüências sobre a pesca artesanal, principal atividade econômica
da região, até o irreversível comprometimento do potencial turístico local, única saída
vislumbrada para o crescimento sustentável.
Hohenbergia castellanosii
Em 08 de setembro de 2003, a SBBr enviou ofício ao Dr. Luiz Raymundo, no qual apontava as
principais preocupações com referencia à passagem do gasoduto pelo Parque das Bromélias (veja a
íntegra do ofício). Com a morte prematura de seu principal defensor (Veja matéria sobre o
falecimento de Luiz Raymundo Tourinho Dantas), a Ponta do Garcês ficou ainda mais vulnerável
ao polêmico projeto. A família dos proprietários se comprometeu em levar adiante o processo
de conservação e a defesa do Parque das Bromélias.
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